Foi do agrado do Pai
Em Lucas 12:22-32, Jesus fala do medo de faltar a um pequeno rebanho. Por que o Pai que alimenta os corvos sabe do que você precisa e já decidiu dar o Reino.
Dia 6 de 40
Leitura
22Dirigindo-se aos seus discípulos, Jesus acrescentou: “Portanto eu lhes digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. 23A vida é mais importante do que a comida, e o corpo, mais do que as roupas. 24Observem os corvos: não semeiam nem colhem, não têm armazéns nem celeiros; contudo, Deus os alimenta. E vocês têm muito mais valor do que as aves! 25Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? 26Visto que vocês não podem sequer fazer uma coisa tão pequena, por que se preocupar com o restante?
27“Observem como crescem os lírios. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. 28Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais vestirá vocês, homens de pequena fé! 29Não busquem ansiosamente o que comer ou beber; não se preocupem com isso. 30Pois o mundo pagão é que corre atrás dessas coisas; mas o Pai sabe que vocês precisam delas. 31Busquem, pois, o Reino de Deus, e essas coisas lhes serão acrescentadas.
32“Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-lhes o Reino.
Adianta dizer “não tenha medo” a quem tem motivo de verdade para ter? A frase costuma soar vazia quando vem de alguém que não conhece o tamanho da conta, do exame ou da demissão que chegou por mensagem. Jesus disse essas palavras a um grupo pequeno, sem poder nenhum, que subia com ele para Jerusalém, e ele já tinha anunciado que seria morto. Ou a frase era vazia, ou ele sabia de alguma coisa que muda o peso do medo.
Para quem ele falava
Lucas conta que se juntou “uma multidão de milhares de pessoas”, e mesmo assim Jesus “começou a falar primeiramente aos seus discípulos” (Lucas 12:1). No versículo 22, de novo, ele se dirige a eles. Tinha acabado de contar a história do homem que queria derrubar os celeiros para construir outros maiores, e o “Portanto” liga uma coisa à outra.
Esses discípulos já tinham ouvido Jesus dizer que seria rejeitado e morto (Lucas 9:22), e o tinham visto partir “resolutamente em direção a Jerusalém” (Lucas 9:51). O medo deles era razoável, e o capítulo inteiro fala desse medo. “Não tenham medo” aparece nos versículos 4 e 7, antes do 32. No 7, vem junto com uma conta simples: “vocês valem mais do que muitos pardais”.
Os corvos e os lírios
Jesus começa pelo mais básico, comida e roupa. Para muita gente naquele tempo, as duas coisas dependiam do trabalho de cada dia. E a primeira coisa que ele manda fazer é olhar: “Observem os corvos: não semeiam nem colhem, não têm armazéns nem celeiros; contudo, Deus os alimenta.” Celeiros, a mesma palavra da história do rico, que só pensava em construir celeiros maiores. As aves não têm nenhum, e comem. Depois vêm os lírios: “nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles”. Se Deus veste assim uma erva “que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo”, quanto mais vai vestir os seus.
Repare também que Jesus chama os discípulos de “homens de pequena fé” e não manda ninguém embora. Poucas frases depois, chama os mesmos homens de “pequeno rebanho”. Fé pequena continua dentro do rebanho.
O que a preocupação não alcança
“Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?” Jesus aponta um limite, e esse limite alivia. A preocupação traz para hoje as lutas de amanhã, mas não traz a solução junto. O sol vai nascer amanhã na mesma hora, com ou sem noite em claro. O que não depende de você não está nos seus ombros.
Quem convive com ansiedade sabe melhor do que ninguém que entender isso não desliga a preocupação. Jesus também não para no argumento. Ele leva os discípulos ao Pai.
O Pai sabe
“Pois o mundo pagão é que corre atrás dessas coisas; mas o Pai sabe que vocês precisam delas.” Na lógica do mundo pagão, tudo depende de cada um: do bom negócio, da esperteza, da oportunidade certa. E repare numa troca de palavra. Nos versículos 24 e 28, é “Deus” quem alimenta os corvos e veste a erva. Nos versículos 30 e 32, Jesus passa a dizer “o Pai”. Quem sabe do que você precisa é o Pai.
Jesus também não trata a necessidade como ilusão: “vocês precisam delas”. A conta do mês, o emprego, os pais que envelhecem, o remédio do filho, tudo isso é necessidade legítima, e trabalhar duro por ela também. O que ele faz é pôr uma ordem: “Busquem, pois, o Reino de Deus, e essas coisas lhes serão acrescentadas.” É uma prioridade com promessa. Ninguém precisa comprar esse pão com esforço espiritual; o Pai já sabe, e já se comprometeu.
Pequeno rebanho
“Não tenham medo, pequeno rebanho.” Rebanho é gente que precisa de pastor. E pequeno: doze e mais alguns, gente simples, sem força para revidar coisa nenhuma. Um deles o trairia, outro o negaria. Jesus não escondia o perigo; no mesmo capítulo falou dos que “matam o corpo”.
Mesmo assim, “não tenham medo” tem outro som em Lucas. É uma frase que aparece logo no começo do evangelho. Um anjo a diz a Zacarias, depois a Maria, depois aos pastores no campo, e nas três vezes ela chega junto com uma boa notícia: “Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria” (Lucas 2:10). Em Lucas, esse “não tenham medo” é anúncio. E por trás dele está o mesmo Deus que tem a palavra final sobre a vida e que, segundo Jesus, não esquece nem um pardal: “Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados” (Lucas 12:7).
Foi do agrado do Pai
Depois vem a razão: “pois foi do agrado do Pai dar-lhes o Reino”. Três palavras merecem atenção. Agrado: o Pai dá porque quer, com prazer, sem má vontade. É a mesma palavra da voz que se ouviu no batismo de Jesus: “Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado” (Lucas 3:22). Foi: a decisão já foi tomada, antes do medo desta semana. Dar: o Reino é presente, e não salário.
E esse Reino é o que o povo de Deus esperava havia séculos, e Daniel já tinha anunciado que “o Deus dos céus estabelecerá um reino que jamais será destruído” (Daniel 2:44). Pense no que o seu coração pede quando você vê o mundo fora do lugar: o injusto saindo livre, o justo pagando pelo outro. Você anseia pelo dia em que tudo estará no lugar. É isso que o Pai decidiu dar, o Reino e o Rei.
Nos lírios e nos corvos, Jesus raciocinou do menor para o maior: se Deus cuida das aves e da erva, quanto mais de vocês. Aqui a conta corre ao contrário. Quem já deu o maior não vai esquecer o pão. Paulo faria a mesma conta anos depois: “Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas?” (Romanos 8:32). O Pai já decidiu, com prazer, dar o maior. O medo de que falte o menor pode continuar batendo à porta, mas perdeu a última palavra.
Quando o medo volta
Para quem segue Jesus, a promessa não depende de quanto você está calmo hoje. Depende do que o Pai já decidiu. E o medo de faltar volta: de madrugada, no boleto que vence, no resultado do exame, na empresa que anuncia cortes. Medo que volta não é sinal de que o Reino foi retirado. Diante de uma perda, o medo é reação humana. O texto oferece um pensamento para pôr ao lado dele: o Pai sabe, e já decidiu dar.
Nada aqui promete que a ansiedade vai sumir, nem chama de fraco na fé quem precisa de ajuda médica. O que a palavra de Jesus faz é dar ao medo um lugar para onde ir.
Se você segue Jesus, você está nesse rebanho, pequeno como for. E se você ainda está na multidão, só ouvindo, fica sabendo hoje que o Reino é dado de presente. Quem sabe que o Pai decidiu lhe dar o Reino não precisa gastar a vida garantindo sozinho o que o Pai já sabe.
Para hoje
Jesus mandou olhar os corvos e os lírios. Hoje, repare numa ave ou numa planta qualquer no seu caminho. Diga ao Pai o nome do medo de faltar que mais pesa nesta semana e leia o versículo 32 em voz alta, sem esperar sentir calma antes.
Oração
Pai, obrigado porque o teu Reino foi dado com prazer. Tu conheces o medo de faltar que eu carrego nesta semana, e eu o entrego a ti. Lembra-te de quem está sem comida ou sem roupa hoje, e de quem convive com uma ansiedade que não passa; sustenta cada um deles. Ensina-me a buscar o teu Reino e a descansar no teu agrado. Em nome de Jesus, amém.
Para meditar ou conversar
Sozinho ou a dois- Jesus manda os discípulos olharem corvos e lírios (v. 24 e 27). Se ele falasse com você esta semana, que coisa comum da sua rotina usaria para mostrar que o Pai sustenta? E o que você tem olhado no lugar dela?
- “O Pai sabe que vocês precisam delas” (v. 30). Do que você precisa neste mês? Qual desses itens você carrega como se fosse problema só seu, que o Pai não conhece?
- Jesus chama os seus de “pequeno rebanho” (v. 32). Em que lugar da sua vida você se sente pequeno, sem força ou em minoria agora? O que muda saber que foi justamente a um grupo assim que ele disse “não tenham medo”?
- Quando você pede algo a Deus, como imagina a reação dele: impaciente, indiferente, contrariado? De onde veio essa imagem, e o que ela tem a ver com “foi do agrado do Pai” (v. 32)?
Inspirado na pregação "Vivendo em função do Reino: perspectiva é tudo", da série Inversão de Valores, IBB Planalto.
Texto bíblico: Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI®. Copyright © 1993, 2000 by Biblica, Inc.® Usado com permissão. Todos os direitos reservados mundialmente.