O Rei já está diante de você
Em Lucas 17:20-21, os fariseus perguntam quando o Reino de Deus viria. O que Jesus quis dizer com o Reino entre vocês e por que ele não chega com espetáculo.
Dia 4 de 40
Leitura
20Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem de modo visível, 21nem se dirá: 'Aqui está ele', ou 'Lá está'; porque o Reino de Deus está entre vocês”.
Imagine que você cresceu ouvindo que o Messias viria. Seus pais esperaram, seus avós esperaram, e nos profetas que você ouvia ler havia promessas como esta: “O Senhor será rei de toda a terra” (Zacarias 14:9). Um dia começa a correr a notícia de um mestre da Galileia que cura doentes. Você vai ver com os próprios olhos. Não encontra exército, nem trono, nem céu aberto. Encontra um homem cercado de pescadores, de um cobrador de impostos que largou a coletoria para segui-lo, de doentes que chegaram carregados. E volta para casa com a mesma pergunta que os fariseus fariam a Jesus: quando o Reino vai chegar?
A pergunta dos fariseus
Lucas conta que os fariseus perguntaram a Jesus “quando viria o Reino de Deus”. É fácil ler essa pergunta com má vontade, mas ela vinha das Escrituras. Os fariseus eram homens acostumados a estudar a lei, e entre eles havia mestres que ensinavam o povo. Sabiam que Deus sempre reinou: “O teu reino é reino eterno, e o teu domínio permanece de geração em geração” (Salmos 145:13). O que Israel esperava era outra coisa, o Reino prometido ao filho de Davi. O próprio Lucas abre o evangelho com essa promessa, quando o anjo diz a Maria que Deus daria ao filho dela “o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim” (Lucas 1:32-33).
Era isso que o povo aguardava havia séculos: um dia inconfundível, com a justiça feita e os que sofriam havia tanto tempo finalmente vindicados. Ninguém ali duvidava da promessa. A dúvida era a data.
“De modo visível”
A resposta de Jesus deixa a promessa de pé e mexe no jeito como ela se cumpre: “O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’”. Ninguém ia ouvir trombeta, ver multidão gritando ou alguém apontando para um lugar. O começo do Reino seria pequeno, quase sem aparência. Jesus mesmo o comparou a “um grão de mostarda que um homem semeou em sua horta”, que cresceu e se tornou uma árvore (Lucas 13:19). Quem passa pela horta no dia da semeadura não vê árvore nenhuma.
Esse jeito de chegar podia confundir até quem estava do lado de Jesus. João Batista, que o tinha anunciado, mandou dois discípulos perguntar: “És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro?” (Lucas 7:19). Jesus mandou dizer a João o que os mensageiros tinham visto e ouvido: cegos vendo, aleijados andando, leprosos purificados, boas novas pregadas aos pobres. E acrescentou: “feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa” (Lucas 7:23). A pergunta de João mostra como era difícil reconhecer o Reino chegando daquele jeito, em gente sendo curada e em pobres ouvindo boas notícias.
“Entre vocês”
Repare em quem ouvia essa resposta. Eram fariseus, gente que, um capítulo antes, ouvia Jesus ensinar e zombava dele (Lucas 16:14). Por isso a última frase pesa tanto: “o Reino de Deus está entre vocês”. Jesus não estava dizendo que o Reino morava dentro daqueles homens, como um sentimento no coração de quem o rejeitava. Estava dizendo que o Reino estava no meio deles, bem na frente deles.
E ele já tinha dado a prova. Quando alguns da multidão o acusaram de expulsar demônios pelo poder do príncipe dos demônios, Jesus respondeu: “se é pelo dedo de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus” (Lucas 11:20). Onde Jesus estava, havia autoridade sobre os demônios, sobre as doenças, sobre a morte e sobre o coração de quem cria nele. Eles perguntaram quando o Reino viria, e o Rei estava de pé na frente deles.
Não há Reino sem o Rei
Os fariseus queriam o Reino que tinham imaginado, sem precisar se dobrar ao Rei que estava diante deles. A gente faz parecido com mais frequência do que admite. Quer as coisas no lugar, a justiça feita, a paz em casa, a oração respondida, e de preferência sem ninguém mandando na gente. Pede um sinal antes de obedecer no que já sabe: uma porta que se abre sozinha, uma resposta rápida, alguma prova de que vai valer a pena.
Ou vive como se o Rei fosse abrir uma exceção só para nós. Como se, diante daquilo que ele mesmo chama de pecado, ele fosse sorrir no canto da boca e dizer que, no nosso caso, tudo bem. Cada um de nós tenta, de algum jeito, erguer um império particular. Só que ninguém é súdito de um rei e dono do próprio império ao mesmo tempo, e Deus não aceita rivais.
Onde o Reino aparece hoje
Se o Reino não chega com espetáculo, onde ele aparece? Aparece onde o Rei é obedecido. Numa manhã comum, a gente abre a Bíblia e ela diz o contrário do que estamos fazendo. Em vez de levantar a voz, bater no peito ou dizer que aquilo não é com a gente, a gente se dobra. Parece pouco, e é assim mesmo que o Reino cresce, como o grão de mostarda.
É isso que a igreja é de verdade. Nenhum nome no rol de membros resolve isso sozinho. Igreja é gente redimida pelo sangue de Cristo, em cuja vida Jesus tem autoridade para dizer “faça isto”, e ela faz.
O Reino que ainda vem
O Reino chegou com o Rei, e ainda vai chegar por inteiro. Logo depois de responder aos fariseus, Jesus avisou os discípulos de que o dia do Filho do homem seria “como o relâmpago cujo brilho vai de uma extremidade à outra do céu” (Lucas 17:24). Na volta dele, ninguém vai precisar procurar. E na última Páscoa com os discípulos, ele disse que não beberia “outra vez do fruto da videira até que venha o Reino de Deus” (Lucas 22:18). Naquele dia a justiça que tanta gente esperou vai ser feita.
Por isso ele ensinou a orar: “Venha o teu Reino” (Lucas 11:2). Quando foi a última vez que você pediu isso sabendo o que estava pedindo? Pedir que o Reino venha é pedir que o Rei mande, na terra inteira e também na sua casa, na sua agenda e no seu dinheiro.
Diante de você
Jesus não está de pé na sua frente como estava diante dos fariseus. Mas o mesmo Rei é apresentado a você no trecho do evangelho que você acabou de ler, e a escolha continua a mesma: esperar um sinal ou receber o Rei.
O Rei que veio sem espetáculo é o mesmo que recebe quem chega a ele sem exigir sinal. Ele não esperou que os pescadores, o cobrador de impostos e os doentes provassem alguma coisa para recebê-los. E se você está olhando de fora, perguntando quando, ainda sem se decidir: o Rei está presente, e agora é o momento de recebê-lo.
Para hoje
Ore “Venha o teu Reino” pensando numa área concreta da sua vida, o trabalho, o tempo, o dinheiro ou uma decisão, em que você anda esperando um sinal antes de obedecer. Diga a Jesus, com as suas palavras, que ali ele é o Rei, antes de ver qualquer sinal.
Oração
Senhor Jesus, muitas vezes eu quero o teu Reino sem o teu governo, e peço sinais antes de obedecer no que já sei. Obrigado porque vieste sem espetáculo e ainda recebes quem chega sem exigir sinal. Lembra-te de quem espera justiça há muito tempo e não vê nada mudar. Reina na minha casa, no meu tempo e no meu coração. Venha o teu Reino. Amém.
Para meditar ou conversar
Sozinho ou a dois- “O Reino de Deus não vem de modo visível” (v. 20): que sinal você tem esperado de Deus antes de obedecer em alguma coisa que já sabe? O que mudaria se esse sinal nunca viesse?
- Os fariseus perguntaram “quando” (v. 20), e o Rei estava na frente deles (v. 21). Qual é o seu “quando” hoje, a pergunta que você repete a Deus? Ela tem ajudado você a seguir Jesus, ou a adiar?
- O Reino começa como um grão de mostarda (Lucas 13:19). Em que coisa pequena e sem aparência você viu Jesus agir nos últimos meses? Você percebeu na hora, ou só depois?
- “Venha o teu Reino” (Lucas 11:2): em que área da sua vida esse pedido ficaria desconfortável se Deus o atendesse hoje?
Inspirado na pregação "O Reino invisível de um Rei visível", da série Inversão de Valores, IBB Planalto.
Texto bíblico: Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI®. Copyright © 1993, 2000 by Biblica, Inc.® Usado com permissão. Todos os direitos reservados mundialmente.