Comemos e bebemos contigo
Alguém pergunta a Jesus se serão poucos os salvos, e ele fala de uma porta estreita. Por que conviver com ele não é o mesmo que ser conhecido por ele.
Dia 16 de 40
Leitura
22Depois Jesus foi pelas cidades e povoados e ensinava, prosseguindo em direção a Jerusalém. 23Alguém lhe perguntou: “Senhor, serão poucos os salvos?”
Ele lhes disse: 24“Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. 25Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês ficarão do lado de fora, batendo e pedindo: 'Senhor, abre-nos a porta'.
“Ele, porém, responderá: 'Não os conheço, nem sei de onde são vocês'.
26“Então vocês dirão: 'Comemos e bebemos contigo, e ensinaste em nossas ruas'.
27“Mas ele responderá: 'Não os conheço, nem sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal!'
A proximidade com as coisas de Jesus pode enganar quem vive nela a vida inteira. Na cena que Jesus descreve em Lucas 13, há gente com uma lista boa: comeu e bebeu com ele, ouviu Jesus ensinar na própria rua. Essa lista é apresentada a uma porta fechada, e a resposta é “Não os conheço”. Quem lê um devocional numa manhã comum provavelmente tem a sua própria lista, e ela também é boa. O texto de hoje mostra o que acontece quando uma lista dessas chega à porta.
Pelas cidades e povoados
Jesus ia “pelas cidades e povoados e ensinava, prosseguindo em direção a Jerusalém”. A viagem vinha de longe: alguns capítulos antes, ele tinha partido decidido para a cidade onde ia sofrer. Pelo caminho, ensinava. Guarde esse verbo, porque ele volta no fim da leitura.
Então “Alguém lhe perguntou: ‘Senhor, serão poucos os salvos?’” A gente pode imaginar de onde vinha a dúvida. Jesus tinha sido recusado numa aldeia de samaritanos e acusado de expulsar demônios por Belzebu, e acabava de comparar o Reino a um grão de mostarda e ao fermento, coisas que começam pequenas e crescem. Talvez alguém quisesse saber se sobraria gente. “Salvos”, aqui, quer dizer entrar no Reino de Deus, passar pela porta de que Jesus vai falar.
“Ele lhes disse”
“Ele lhes disse”, no plural: Jesus fala a todos, e o que ele diz é uma ordem para quem está ouvindo. É um movimento conhecido. A professora avisa que o seu filho bateu num colega, e a primeira coisa que você quer saber é o que exatamente ela disse, e só depois se ele bateu mesmo. A gente faz algo parecido com a salvação. Quer saber quantos, quem, e o que acontece com quem nunca ouviu falar de Jesus. São perguntas sérias, e ficam nas mãos de Deus. Jesus leva a conversa até a porta que está diante de quem perguntou.
A porta estreita
“Esforcem-se para entrar pela porta estreita.” A imagem é simples de ver: uma porta, e estreita, por onde se passa um de cada vez e sem volume. A palavra traduzida por “Esforcem-se” é a mesma que Paulo usa para os que “competem nos jogos” e se submetem a um treinamento rigoroso (1 Coríntios 9:25), e essa é a força da ordem: entrar pede tudo de quem entra.
E a porta tem nome. No evangelho de João, Jesus diz: “Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo” (João 10:9). O esforço, então, é o de quem concorda com o que ele diz a nosso respeito, que somos pecadores e precisamos dele, e se volta para ele. É como alguém que chega a essa porta carregado de coisas e tenta negociar com quem a guarda, pedindo que ela se alargue um pouco para caber o que traz no bolso. A porta continua do mesmo tamanho. “Muitos tentarão entrar e não conseguirão”, e o versículo seguinte diz quando isso acontece.
“Senhor, abre-nos a porta”
A cena muda para uma casa: “Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês ficarão do lado de fora, batendo e pedindo: ‘Senhor, abre-nos a porta’.” Repare no “vocês”. Jesus põe do lado de fora os próprios ouvintes, a gente que o ouvia ali, pelas cidades e povoados.
Pela defesa que vão fazer, batem como quem passou a vida achando que no fim daria tudo certo, e tratam o dono como amigo antigo, alguém que vai se lembrar deles e abrir. A resposta vem seca: “Não os conheço, nem sei de onde são vocês”. É a fala de quem não reconhece como gente da casa aqueles que estão batendo.
O “Quando” do versículo 25 aponta para um dia que ainda vai chegar, e a ordem do versículo 24 foi dada antes dele.
“Comemos e bebemos contigo”
Então vem a defesa: “Comemos e bebemos contigo, e ensinaste em nossas ruas”. É o mesmo verbo do começo da leitura: Jesus ensinava pelas cidades e povoados, e eles estavam lá. Tudo o que dizem é verdade. Comeram e beberam com ele, ouviram o ensino dele nas próprias ruas, e o dono não contesta nada disso. Em Lucas, Jesus come com muita gente, de publicanos a fariseus.
Mateus registra outra lista, ainda mais impressionante. Gente que diz: “Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?” E ouve algo muito parecido: “Nunca os conheci” (Mateus 7:22-23). Nas duas cenas, quem responde não discute a lista. As duas falam de coisas feitas perto de Jesus, e até em nome dele.
A lista inteira fala de onde eles estiveram; a resposta trata de onde eles são.
Os que praticam o mal
A segunda resposta repete a primeira e acrescenta: “Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal!” O texto liga as duas coisas: gente que esteve perto de Jesus é chamada de gente que pratica o mal. A proximidade não mudou a vida.
Muitos de nós poderiam dizer o versículo 26 com outras palavras: crescemos numa casa onde se ora antes de comer, ouvimos a Bíblia bem explicada por anos, tivemos gente vivendo o evangelho na nossa frente, dentro de casa. Tudo isso é presente de Deus. E é possível ir ao culto todo domingo acompanhando o filho, o cônjuge ou os pais, e voltar para casa com o trabalho, o dinheiro e o jeito de tratar as pessoas do mesmo tamanho de antes. Quanto mais perto a gente esteve, mais a gente ouviu, e o que foi ouvido pesa.
As ovelhas que ele conhece
No mesmo evangelho de João, Jesus diz: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (João 10:27). Ser conhecido por ele é pertencer ao rebanho dele: ouvir a voz dele e segui-lo. Pela palavra dele em João, a porta é ele mesmo, e a ordem de entrar foi dada com ela aberta.
Logo depois da leitura de hoje, Jesus fala de gente que virá “do oriente e do ocidente, do norte e do sul” e ocupará o seu lugar à mesa no Reino de Deus (Lucas 13:29). A mesa do Reino vai receber gente de todos os lados, inclusive gente que muitos não esperavam ver ali.
O convite deste texto vai para quem está perto da porta sem ter entrado, porque foi essa gente que Jesus pôs do lado de fora. A ordem dele continua a mesma: entrar por ele. E quem se examina hoje e encontra em si a voz de Jesus ouvida e seguida, mesmo com tropeços, pode descansar. Ele conhece os seus.
Para hoje
Faça hoje, de cabeça, a sua versão do versículo 26, com as coisas de Jesus que fazem parte da sua vida: onde você comeu e bebeu perto dele, o que ouviu, onde serviu. Depois fale com Jesus sobre o que essa lista deixa de fora a seu respeito.
Oração
Pai, eu conheço o caminho da igreja, as músicas e muitas palavras de Jesus, e quero ser conhecido por ele. Dá-me ouvidos para a voz dele e pés para segui-lo. Desperta os que comem à nossa mesa e sentam ao nosso lado no culto e ainda não entraram. Eu te agradeço pela porta, que é ele, e pela ordem de entrar. Em nome de Jesus, amém.
Para meditar ou conversar
Sozinho ou a dois- “Esforcem-se para entrar pela porta estreita” (v. 24) é a única ordem desta cena, e a pergunta “serão poucos os salvos?” fica sem resposta (v. 23). O que esta ordem pede de você hoje, e o que ela não pede?
- “Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo” (João 10:9): a porta da cena tem nome, e o nome é ele. O que isso mostra do jeito dele tratar quem ainda está do lado de fora?
- “e ensinaste em nossas ruas” (v. 26): qual foi a última vez que você ouviu algo de Jesus e, até o fim daquele dia, nada do que você fazia mudou? Diga a Deus o que você ouviu.
- “ocuparão os seus lugares à mesa no Reino de Deus” (Lucas 13:29): o que você pede hoje a Deus sobre o seu lugar nessa mesa, sem oferecer nada em troca?
Inspirado na pregação "No meio do caminho havia uma porta, havia uma porta no meio do caminho", da série Inversão de Valores, IBB Planalto.
Texto bíblico: Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI®. Copyright © 1993, 2000 by Biblica, Inc.® Usado com permissão. Todos os direitos reservados mundialmente.