Filha, a sua fé a curou
Uma mulher doente havia doze anos toca a borda do manto de Jesus por trás, na multidão. Por que ele para para perguntar quem tocou, e o que ela ouve dele diante de todos.
Dia 15 de 40
Leitura
43E estava ali certa mulher que havia doze anos vinha sofrendo de hemorragia e gastara tudo o que tinha com os médicos; mas ninguém pudera curá-la. 44Ela chegou por trás dele, tocou na borda de seu manto, e imediatamente cessou sua hemorragia. 45“Quem tocou em mim?”, perguntou Jesus. Como todos negassem, Pedro disse: “Mestre, a multidão se aglomera e te comprime”. 46Mas Jesus disse: “Alguém tocou em mim; eu sei que de mim saiu poder”. 47Então a mulher, vendo que não conseguiria passar despercebida, veio tremendo e prostrou-se aos seus pés. Na presença de todo o povo contou por que tinha tocado nele e como fora instantaneamente curada. 48Então ele lhe disse: “Filha, a sua fé a curou! Vá em paz”.
Você está na fila da farmácia com uma receita dobrada ao meio na mão. Alguém da igreja entra, e você cede a sua vez e finge olhar as prateleiras até a pessoa sair. Precisa do remédio e não quer que ninguém saiba para quê. Existe ajuda que a gente só aceita se ninguém ficar sabendo que precisou dela. Lucas conta de uma mulher que tentou ser ajudada assim, no meio de uma multidão, sem que ninguém percebesse.
Estando Jesus a caminho
Quando Jesus voltou, uma multidão o esperava. Um homem chamado Jairo, “dirigente da sinagoga”, prostrou-se aos pés dele e implorou que fosse à sua casa, porque a sua “única filha, de cerca de doze anos, estava à morte”. Jesus foi, e no caminho a multidão o comprimia.
É nesse aperto, com uma menina morrendo à espera, que aparece “certa mulher”. Jairo tem nome e cargo; ela não tem nem nome. Jairo pede prostrado aos pés de Jesus; a mulher chega calada. A menina tinha cerca de doze anos, e a mulher sofria havia doze anos. E Jesus vai atender as duas, a menina e a mulher.
Doze anos
Doze anos perdendo sangue, com a fraqueza que isso traz ao corpo. É o tempo inteiro de vida da filha de Jairo. As duas vão encontrar Jesus no mesmo dia. Lucas diz o essencial: “ninguém pudera curá-la”. Marcos conta mais: ela “padecera muito sob o cuidado de vários médicos e gastara tudo o que tinha, mas, em vez de melhorar, piorava” (Marcos 5:26). Foram doze anos de doença, e o tratamento levou tudo o que ela tinha. O cuidado médico é um bem, e mesmo assim tem limite, e ela tinha chegado ao limite dele.
Havia ainda a lei. Levítico diz que a mulher com fluxo de sangue fora do tempo normal ficava impura “enquanto durar o corrimento, como nos dias da sua menstruação” (Levítico 15:25), e sobre a menstruação diz que “quem nela tocar ficará impuro até a tarde” (Levítico 15:19). A cama em que ela se deitasse e o assento em que se sentasse também ficavam impuros, e quem tocasse neles também. Pela lei, então, foram doze anos em que cada contato passava adiante essa impureza. A lei tratava de uma condição do corpo, e o texto não acusa essa mulher de nada.
Por trás dele
“Ela chegou por trás dele, tocou na borda de seu manto, e imediatamente cessou sua hemorragia.” Lucas conta a cura quase de passagem, numa frase. Por que por trás? O versículo 47 deixa ver: ela esperava passar despercebida. E, para chegar até ali, atravessou uma multidão que apertava Jesus por todos os lados, gente que, pela lei, ficaria impura se encostasse nela.
Marcos conta o que ela pensava: “Se eu tão-somente tocar em seu manto, ficarei curada” (Marcos 5:28). Ninguém tinha conseguido curá-la, e ela foi a Jesus. Depois de doze anos de doença, tentou mais uma vez. Em silêncio, estendeu a mão para a borda da roupa dele, o mínimo possível, do jeito que dava para fazer sem ser vista.
“Quem tocou em mim?”
Então Jesus pergunta: “Quem tocou em mim?” Todos negam. Pedro responde com a lógica da cena: “Mestre, a multidão se aglomera e te comprime”. Muita gente encostava nele naquele momento. Pedro vê o aperto; Jesus sabe do toque. Jesus insiste: “Alguém tocou em mim; eu sei que de mim saiu poder”.
Entre tantos empurrões, houve um toque diferente, e de Jesus saiu poder. Jesus trata com uma pessoa de cada vez, mesmo no meio de uma multidão. E ele para, a caminho da casa de uma menina que está morrendo, por causa de uma mulher sem nome que queria passar despercebida. O que vem depois da pergunta mostra o que a pergunta abriu.
Na presença de todo o povo
“Então a mulher, vendo que não conseguiria passar despercebida, veio tremendo e prostrou-se aos seus pés.” Marcos diz que ela “contou-lhe toda a verdade” (Marcos 5:33). Lucas acrescenta onde: “Na presença de todo o povo contou por que tinha tocado nele e como fora instantaneamente curada.” Ela conta o motivo e conta o resultado, justamente as duas coisas que tinha tentado guardar.
Repare no que isso quer dizer ali. Pela lei, quem tocasse nela ficava impuro, e ela diz diante de todos que tocou em Jesus. E diz também que a hemorragia parou. A multidão fica sabendo pela boca dela que a doença de doze anos acabou. Quem chegou por trás dele querendo passar despercebida agora fala na presença de todo o povo, e a notícia que ela dá é boa.
“Filha”
Então Jesus fala com ela, e começa chamando-a de “Filha”. Na mesma cena, Jairo tinha vindo pedir pela única filha dele. A caminho da casa dessa menina, Jesus chama de filha uma mulher adulta que nem tinha nome no relato.
Depois vem o motivo: “a sua fé a curou”. Jesus não atribui a cura à borda do manto nem ao jeito escondido de chegar. Atribui à fé com que ela veio. E vem a despedida: “Vá em paz”. Ela recebe uma palavra dele, dita diante de todos, e quem ouviu sabe que ela está curada. Ninguém ali precisa mais evitar o toque dela.
A mulher que, pela lei, deixava impuro quem a tocasse foi chamada de “Filha” na presença de todo o povo.
Os que ainda esperam
Esta história chega também a quem está doente há anos, em tratamento, depois de orar muitas vezes sem receber a cura. O “Vá em paz” foi dito a ela, naquele dia, e nem todo pedido de cura é atendido agora. Quem ainda está doente não precisa ler nesta cena que lhe faltou fé. A cura dela mostra, em pequeno, o que Jesus vai fazer. Paulo escreve aos que pertencem a Cristo que ele “transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhantes ao seu corpo glorioso” (Filipenses 3:21).
Mesmo quem nunca esteve doente assim sabe o que é levar alguma coisa a Jesus só por trás, sem que ninguém saiba: um pecado antigo, um medo, uma dor que dá vergonha contar. E quem chega a ele com fé, mesmo tremendo, é recebido como filha, como filho.
Para hoje
Conte a uma pessoa de confiança uma coisa que você só levou a Jesus às escondidas: o que era, e o que ele fez ou o que você ainda espera dele. Se ainda não houver ninguém assim, diga isso a ele em voz alta, com todas as letras.
Oração
Senhor, tu sentiste o toque de quem chegou por trás e chamaste de filha quem tremia aos teus pés. Eu te entrego o que só tenho coragem de levar escondido. Dá a tua paz aos que estão doentes há anos, aos que gastaram o que tinham em tratamento e pioraram, e aos que escondem uma doença por vergonha. Tu vais transformar os nossos corpos humilhados, e eu espero por esse dia. Amém.
Para meditar ou conversar
Sozinho ou a dois- A única ordem que Jesus dá a ela em toda a cena é “Vá em paz” (v. 48). O que este texto manda você fazer hoje, e o que ele não manda?
- Jesus chama de “Filha” a mulher que tentou passar despercebida (v. 47-48). O que esse nome mostra do jeito dele tratar quem chega assim?
- “Ela chegou por trás dele” (v. 44): qual foi a última vez que você deixou de pedir uma ajuda para que ninguém soubesse que você precisava? Conte a Deus o que era.
- “ele transformará os nossos corpos humilhados” (Filipenses 3:21): o que você pede hoje a Jesus para o seu corpo e para a sua espera, sem oferecer nada em troca? Em uma frase.
Inspirado na pregação "Como ajudar as pessoas a maneira de Jesus", da série Inversão de Valores, IBB Planalto.
Texto bíblico: Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI®. Copyright © 1993, 2000 by Biblica, Inc.® Usado com permissão. Todos os direitos reservados mundialmente.