Confiável no pouco
Um homem de nobre nascimento entrega dez minas a dez servos antes de viajar. O que Jesus chama de confiável no pouco e o que o primeiro servo recebe de volta.
Dia 11 de 40
Leitura
11Estando eles a ouvi-lo, Jesus passou a contar-lhes uma parábola, porque estava perto de Jerusalém e o povo pensava que o Reino de Deus ia se manifestar de imediato. 12Ele disse: “Um homem de nobre nascimento foi para uma terra distante para ser coroado rei e depois voltar. 13Então, chamou dez dos seus servos e lhes deu dez minas. Disse ele: 'Façam esse dinheiro render até a minha volta'.
14“Mas os seus súditos o odiavam e por isso enviaram uma delegação para lhe dizer: 'Não queremos que este homem seja nosso rei'.
15“Contudo, ele foi feito rei e voltou. Então mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro, a fim de saber quanto tinham lucrado.
16“O primeiro veio e disse: 'Senhor, a tua mina rendeu outras dez'.
17“'Muito bem, meu bom servo!', respondeu o seu senhor. 'Por ter sido confiável no pouco, governe sobre dez cidades.'
18“O segundo veio e disse: 'Senhor, a tua mina rendeu cinco vezes mais'.
19“O seu senhor respondeu: 'Também você, encarregue-se de cinco cidades'.
Quase tudo o que Deus põe nas mãos de alguém é pouco, e acontece longe de qualquer plateia. O dinheiro do mês. A primeira hora da manhã. A paciência com quem mora na mesma casa. Uma oração por alguém que nunca vai saber que você orou. A gente trata essas coisas como ensaio, enquanto a vida de verdade não começa. A parábola das minas pega justamente esse pouco e mostra o que o rei faz com ele quando volta.
Perto de Jerusalém
Lucas diz que Jesus contou esta história “porque estava perto de Jerusalém e o povo pensava que o Reino de Deus ia se manifestar de imediato”. O povo esperava ver o Reino aparecer de uma vez, assim que ele entrasse na cidade. Jesus já tinha avisado os discípulos do que viria antes: “é necessário que ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração” (Lucas 17:25). A parábola põe um tempo no meio: o rei parte, e só depois volta. O Reino vem, só que não naquele momento. A pergunta da história é o que os servos fazem enquanto ele está longe.
Um rei que vai longe
Na história, um homem de nobre nascimento viaja para uma terra distante para ser coroado rei e depois voltar. Era assim que se recebia um trono naquele tempo: quem ia governar a região viajava até a sede do império para receber o título. É provável que quem ouvia se lembrasse de Arquelau, filho de Herodes, que foi a Roma receber o reino enquanto uma delegação de judeus ia até lá pedir que ele não reinasse.
Antes de partir, o homem chama dez servos e entrega a eles dez minas, uma para cada, como se vê depois, quando os servos falam da “tua mina”. A nota da NVI explica que uma mina era cerca de meio quilo de prata, o salário de uns três meses de um trabalhador braçal. Dinheiro de verdade para um servo, e pouco para quem estava prestes a ser rei. A ordem vem numa frase: “Façam esse dinheiro render até a minha volta”. E Lucas acrescenta um detalhe duro: os súditos odiavam aquele homem e mandaram dizer que não o queriam como rei. Os servos vão trabalhar para um senhor ausente, num lugar onde muita gente não o quer. É bem parecido com a vida de quem segue Jesus hoje. Entre a cruz e a volta dele corre o tempo em que a gente vive: o intervalo da parábola, com a mina na mão e o senhor longe.
“A tua mina rendeu”
O rei volta coroado e chama os servos “a fim de saber quanto tinham lucrado”. O primeiro chega e diz: “Senhor, a tua mina rendeu outras dez”. Ele fala da mina como do senhor, e do lucro também. Ser fiel, aqui, é aceitar a condição de servo e fazer render o que é do senhor, pensando no que interessa a ele. Paulo diria algo parecido sobre o próprio trabalho na igreja de Corinto: quem planta e quem rega não são nada, e tudo vem de Deus, “que efetua o crescimento” (1 Coríntios 3:7). O lucro não vira troféu de quem trabalhou.
Confiável no pouco
Então vem a resposta do rei: “Muito bem, meu bom servo!”. O elogio chega antes do prêmio. E logo vem a razão: “Por ter sido confiável no pouco, governe sobre dez cidades.” O próprio rei chama de pouco o salário de três meses. Para ele, aquilo era pouco. Para o servo, era o que ele tinha nas mãos.
Repare também no tipo de prêmio. O prêmio do servo fiel não é descanso nem dinheiro para gastar. São cidades para governar em nome do rei, mais trabalho e mais confiança. Quem fez render a mina do rei recebeu do rei dez cidades para governar.
Cinco cidades
O segundo servo vem e diz: “Senhor, a tua mina rendeu cinco vezes mais”. O rei responde: “Também você, encarregue-se de cinco cidades”. Cada um tinha recebido a mesma mina, e a recompensa acompanhou o que cada um fez com ela. O rei não esquece o segundo. O “também você” põe os dois no mesmo governo.
O pouco de cada dia
As minas de hoje vão muito além do dinheiro. São as coisas simples que enchem vinte, trinta, cinquenta anos de vida: o salário, o tempo, o corpo, a família, o trabalho, a casa. São também as oportunidades que aparecem sem aviso: orar com alguém, abrir a Bíblia, falar de Jesus a um amigo, ajudar a obra de Deus com o que se tem. O rei está longe, e é justamente aí que a fidelidade aparece, quando ninguém em volta está olhando.
A gente costuma querer o muito antes de fazer render o pouco. Se eu tivesse mais tempo, mais saúde, outro trabalho, um lugar diferente na igreja, aí sim eu faria. Enquanto isso, deixa de orar hoje por alguém, adia a conversa com o filho, empurra a conta para depois. Dá para passar dez anos esperando uma função na igreja sem fazer render a que já está nas mãos. E dá para aparecer na igreja todo domingo e viver o resto da semana do jeito que se quer. O pouco estava ali o tempo todo. Na mesma história, logo depois do trecho de hoje (v. 20 e 21), um terceiro servo devolveu a mina guardada num pedaço de pano, porque teve medo.
Até ele voltar
Jesus subiu a Jerusalém para sofrer, ressuscitou, foi elevado ao céu e vai voltar. Um dia, quem o segue vai prestar contas do que fez com o que recebeu. Para quem está nele, esse encontro chega sem condenação: “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1).
Por isso esta parábola consola. O rei volta e pergunta pelo pouco que ninguém notou. E até a mina foi ele quem deu, antes de qualquer esforço nosso. O que ele pede é leve de carregar: fazer render hoje o que ele já pôs na nossa mão, até ele voltar.
E se você ainda está entre os que dizem “Não queremos que este homem seja nosso rei”, lembre que o rei da história volta. Enquanto isso, Jesus recebe quem se arrepende e se submete a ele como rei.
Para hoje
Pense numa responsabilidade pequena que você vem deixando de lado por achar que não faz diferença: uma conta, uma tarefa em casa, um compromisso na igreja. Faça hoje, sem contar a ninguém, e depois leia de novo o versículo 17.
Oração
Pai, obrigado pelo pouco que Jesus confiou às minhas mãos. Perdoa o desprezo que eu tenho pelo pouco e as desculpas que invento enquanto espero o muito. Lembra-te de quem serve em lugar escondido, sem que ninguém agradeça. Ajuda-me a ser encontrado fiel quando Jesus voltar. Amém.
Para meditar ou conversar
Sozinho ou a dois- O rei entrega a mina, marca o prazo “até a minha volta” (v. 13) e não cobra dos dois servos o mesmo resultado (v. 17 e 19). O que a parábola manda fazer hoje, e o que ela não manda?
- “Muito bem, meu bom servo!” (v. 17): o rei diz isso antes de dar qualquer cidade. O que isso mostra do jeito dele receber quem cuidou de pouco enquanto ele estava longe?
- “Façam esse dinheiro render até a minha volta” (v. 13): qual foi a última desculpa que você deu para adiar uma coisa pequena? Diga a Deus a frase que você usou.
- “Também você, encarregue-se de cinco cidades” (v. 19): o que você pede a Deus hoje para o pouco que já está na sua mão? Em uma frase, sem prometer nada em troca.
Inspirado na pregação "Como embrulhar para perder e usar as coisas para ganhar", da série Inversão de Valores, IBB Planalto.
Texto bíblico: Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI®. Copyright © 1993, 2000 by Biblica, Inc.® Usado com permissão. Todos os direitos reservados mundialmente.