Mais do que todos
Em Lucas 21:1-4, Jesus vê os ricos e uma viúva pobre nas caixas de ofertas do templo. Por que ele diz que ela deu mais do que todos e o que isso faz com as nossas sobras.
Dia 8 de 40
Leitura
1Jesus olhou e viu os ricos colocando suas contribuições nas caixas de ofertas. 2Viu também uma viúva pobre colocar duas pequeninas moedas de cobre. 3E disse: “Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou mais do que todos os outros. 4Todos esses deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver”.
Você está no pátio do templo, perto das caixas de ofertas. Vê os ricos colocarem as suas contribuições, um depois do outro. Depois chega uma viúva pobre e deixa ali duas pequeninas moedas de cobre. Se alguém lhe perguntasse quem deu mais, você não precisaria pensar muito: bastaria somar. Jesus olhou para a mesma cena e deu outra resposta.
No templo
Jesus já está em Jerusalém, nos últimos dias antes da cruz. Ao chegar, tinha entrado no templo e começado a expulsar os que vendiam ali, dizendo que tinham feito da casa de oração um covil de ladrões. Lucas conta que ele passava o dia ensinando no templo, e que o povo chegava de manhã cedo para ouvi-lo. Os líderes o cercavam de perguntas, tentando apanhá-lo em alguma palavra. Com todo o povo ouvindo, Jesus avisou os discípulos contra os mestres da lei e disse deles uma frase dura: “Eles devoram as casas das viúvas” (Lucas 20:47).
Logo em seguida, ainda no templo, Lucas mostra uma viúva. Ele põe as duas cenas lado a lado e não comenta. De um lado, homens respeitados que se aproveitavam de quem não tinha defesa. Do outro, uma mulher do grupo que Jesus tinha acabado de defender.
“Jesus olhou e viu”
Lucas começa pelo olhar de Jesus: ele “olhou e viu os ricos colocando suas contribuições nas caixas de ofertas”. Eram ofertas de verdade. Marcos diz que muitos ricos lançavam ali “grandes quantias” (Marcos 12:41). Lucas não diz por que davam nem chama esses homens de hipócritas, e o que Jesus diz em seguida mostra que ele sabia o que era muito e o que era pouco.
E viu também o que era fácil não notar. A gente costuma achar que o gesto pequeno e repetido não chama a atenção de Deus: a oferta de toda semana, o que se faz com o dinheiro num dia comum. Ali, nada passou despercebido a Jesus, nem a oferta grande dos ricos, nem as duas moedas que vieram depois.
Uma viúva pobre
Depois vem ela: “uma viúva pobre”. Naquele tempo, a viúva ficava sem o sustento do marido e, muitas vezes, sem ninguém que a defendesse. Dependia da família, da ajuda de alguém, do cuidado que a lei mandava ter com ela. A Bíblia chama Deus de “Pai para os órfãos e defensor das viúvas” (Salmos 68:5), e poucos versículos antes Jesus tinha mostrado gente fazendo o contrário.
Lucas diz “pobre” duas vezes e ainda fala da “sua pobreza”: é falta de dinheiro mesmo. Ela colocou “duas pequeninas moedas de cobre”, e Marcos acrescenta que eram “de muito pouco valor” (Marcos 12:42). Lucas não conta mais nada sobre ela, nem o que pensava, nem o que aconteceu depois: só o gesto. No lugar plano, Jesus tinha chamado de bem-aventurados os discípulos pobres. Aqui, quem dá é uma pobre.
Mais do que todos
Então Jesus fala: “Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou mais do que todos os outros.” “Afirmo-lhes” é fala solene, de quem assina embaixo do que diz. E, pela conta de qualquer pessoa ali, a frase estava errada. Duas moedas pequenas não podiam valer mais do que as contribuições dos ricos. Jesus deixa as ofertas dos ricos onde estão e refaz a conta. Pela quantidade é que a gente costuma avaliar quase tudo. Como duas moedas podem ser mais?
Do que lhes sobrava
O versículo 4 responde: “Todos esses deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver.” Os ricos deram algo que não iam usar. O que sobra é o que fica depois que tudo o que a gente precisa, e quase tudo o que quer, já está resolvido. A oferta deles, por maior que fosse, não mexia no que precisavam para viver. A viúva deu do que ia usar para viver. Era pouco, e para ela era tudo.
Jesus olha a proporção entre o que se dá e o que se tem. Uma oferta que pesa sai daquilo que a gente usaria para si mesmo. Na conta de Jesus, uma oferta pesa pelo que ela tira de quem dá.
As nossas sobras
Antes de qualquer aplicação, um limite. Ninguém pode usar esta cena para arrancar a última moeda de quem tem pouco. O mesmo Jesus tinha acabado de denunciar quem devora as casas das viúvas, e aqui ele não pede nada a ninguém.
Dito isso, a cena mexe com a gente. A gente dá o que quebrou, a roupa que não serve mais, o dinheiro que não faz falta. O mesmo vale para o tempo que sobra depois de tudo e para a atenção que resta no fim do dia. Chamamos de sacrifício o que já gostávamos de fazer, e temos justificativas bonitas para cada sobra. E o Deus que fez tudo o que existe acaba recebendo o que sobra.
Repare também na comparação. Olhando uns para os outros, os ricos estavam dando muito. Comparados com eles mesmos, deram sobra. A viúva, comparada com ela mesma, deu tudo. Jesus mede cada oferta pelo que a pessoa tinha e deixa cada um diante de Deus.
Paulo conta que, nas igrejas da Macedônia, “a grande alegria e a extrema pobreza deles transbordaram em rica generosidade” (2 Coríntios 8:2), para ajudar irmãos em necessidade. Paulo começa chamando aquilo de graça que Deus concedeu àquelas igrejas. A vontade de tirar do pouco para ajudar gente que talvez você nunca conheça vem de Deus, como presente. E diz como tudo começou: eles “entregaram-se primeiramente a si mesmos ao Senhor” (2 Coríntios 8:5). A saída não é prometer a Deus que vai dar mais. É pedir que ele mude o coração.
O que pesa
Deus não fica mais rico com a oferta de ninguém. Às vezes a gente o trata como alguém que se impressiona com o tamanho do que recebe. Ele quer a pessoa inteira. E ele mesmo não deu sobra. Poucos dias depois, deu a si mesmo inteiro, na cruz, em nosso favor.
Se você segue Jesus e vive com pouco, o pouco que custa pesa inteiro diante dele. As duas moedas da viúva pouco mudaram nas finanças do templo, e foram elas que fizeram Jesus dizer quem tinha dado mais.
Para hoje
Antes de dar qualquer coisa esta semana, a Deus ou a alguém que precisa, pergunte de onde ela está saindo. Depois escolha uma oferta tirada de algo que você usaria para você mesmo e entregue antes que a semana acabe. Para quem já vive com pouco, a oferta pode ser de tempo ou de atenção.
Oração
Pai, eu confesso as sobras que te dou e a mania de me comparar com os outros para me achar generoso. Obrigado porque as duas moedas da viúva não passaram despercebidas a ti, e por Jesus, que se deu inteiro por nós. Protege as viúvas, quem vive com muito pouco e quem é explorado por quem devia cuidar dele. Muda o meu coração antes do meu bolso. Em nome de Jesus, amém.
Para meditar ou conversar
Sozinho ou a dois- Jesus não manda a viúva dar mais nem os ricos dar menos: ele diz o que viu (v. 1-4). O que este texto pede de você hoje, e o que ele não pede?
- “Jesus olhou e viu” (v. 1): ele reparou em duas moedas que mais ninguém reparou. O que isso mostra do jeito dele olhar para quem dá pouco?
- “Todos esses deram do que lhes sobrava” (v. 4): qual foi a última vez que você deu uma sobra e chamou aquilo de generosidade? Diga a Deus o que era.
- “Entregaram-se primeiramente a si mesmos ao Senhor” (2 Coríntios 8:5): o que você pede hoje a Deus para o seu coração, sem prometer nada em troca? Em uma frase.
Inspirado na pregação "Deus não aceita sobejo: quando o muito é pouco ou quase nada", da série Inversão de Valores, IBB Planalto.
Texto bíblico: Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI®. Copyright © 1993, 2000 by Biblica, Inc.® Usado com permissão. Todos os direitos reservados mundialmente.