Qual deles o amará mais?
Na casa de Simão, uma mulher chora aos pés de Jesus e ele conta a história de dois devedores. Por que quem teve a dívida maior perdoada é quem mais ama.
Dia 18 de 40
Leitura
40Então lhe disse Jesus: “Simão, tenho algo a lhe dizer”. “Dize, Mestre”, disse ele. 41“Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta. 42Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais?” 43Simão respondeu: “Suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior”. “Você julgou bem”, disse Jesus. 44Em seguida, virou-se para a mulher e disse a Simão: “Vê esta mulher? Entrei em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; ela, porém, molhou os meus pés com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos. 45Você não me saudou com um beijo, mas esta mulher, desde que entrei aqui, não parou de beijar os meus pés. 46Você não ungiu a minha cabeça com óleo, mas ela derramou perfume nos meus pés. 47Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados; pois ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama”.
O amor por Jesus nasce do perdão que a gente recebeu dele. Jesus explicou isso a um homem que o tinha recebido em casa. E explicou com uma história curta, de dois devedores, e com uma pergunta, a mesma que dá nome a este dia.
Uma mulher daquela cidade
Um fariseu tinha convidado Jesus “para jantar”, e ele foi. Enquanto estavam ali, entrou “certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’”. É o nome que a cidade dava a ela, e o fariseu, ao ver o que ela faz, sabe que tipo de mulher ela é. Lucas não diz o nome dela nem qual era o pecado.
Ela soube onde Jesus estava e trouxe “um frasco de alabastro com perfume”. Ficou “atrás de Jesus, a seus pés”. Chorando, molhou os pés dele com as lágrimas, enxugou-os com os cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume. Tudo o que Lucas registra dela são gestos. E todos esses gestos acontecem aos pés de Jesus.
“Se este homem fosse profeta”
O fariseu se chamava Simão. Ele tinha convidado Jesus para a própria casa e, dali a pouco, o chamaria de “Mestre”. Ao ver a mulher, pensou: “Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma ‘pecadora’”. O raciocínio é de gente religiosa: um profeta saberia, e se Jesus não sabia, nem profeta era.
Simão “disse a si mesmo”, e Jesus responde em voz alta: “Simão, tenho algo a lhe dizer”. Há uma ironia no próprio texto. Simão achou que Jesus não sabia quem ela era, e dali a pouco Jesus falaria dos “muitos pecados dela”. Jesus responde contando a Simão uma história.
Dois devedores
“Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta.” A NVI explica em nota que o denário era uma moeda de prata que equivalia à diária de um trabalhador braçal. Uma dívida de quinhentos dias de trabalho, e outra de cinquenta. A diferença é real, e o texto a mantém até o fim.
O que os dois têm em comum vem na frase seguinte: “Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos”. A dívida menor também estava além de quem a devia. Cinquenta dias de trabalho não é pouca coisa para quem não tem com que pagar. E o credor perdoou as duas.
Então Jesus faz a pergunta: “Qual deles o amará mais?” Numa história de poucas linhas, ele junta a dívida, o perdão e o amor. Na história, o amor vem depois do perdão, e por causa dele. Ninguém ama o credor antes de saber que a dívida acabou.
Simão responde: “Suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior”. E Jesus: “Você julgou bem”.
Simão julgou bem, e a frase seguinte de Jesus mostrou que a história se passava na casa dele.
“Vê esta mulher?”
Em seguida, Jesus se vira para a mulher e fala com Simão: “Vê esta mulher?” Ela continua ali, aos pés dele, na casa de Simão. E Jesus compara o que o dono da casa fez com o que ela fez.
“Entrei em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; ela, porém, molhou os meus pés com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos.” Simão não deu a Jesus um beijo de saudação, e ela não parou de beijar os pés dele. Simão não ungiu a cabeça de Jesus com óleo, e ela derramou perfume nos pés dele. Três vezes, na ordem do texto. Em cada par, o que Simão deixou de fazer como anfitrião, ela fez por conta própria.
O que ela deu era dela: as lágrimas, os cabelos, os beijos, o perfume. E foi tudo para Jesus. O amor inclui um movimento da vontade na direção de Jesus, e às vezes aparece em gestos que ninguém esperava. Simão viu uma “pecadora” tocando em Jesus. No versículo seguinte, Jesus chama aquilo de amor.
“Pois ela amou muito”
Então vem a frase central: “Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados; pois ela amou muito.” Jesus chama os pecados dela de “muitos”, e não diminui nenhum.
O “pois” precisa ser lido com a história que ele acabou de contar. Na parábola, primeiro vem o perdão, depois o amor. “Lhe foram perdoados” está no passado. E, no fim da cena, Jesus diz a ela que foi a fé que a salvou. O amor dela não comprou o perdão. Mostrou que o perdão já tinha chegado.
A cena mostra uma mulher que entrou naquela casa amando como quem já tinha sido perdoada, e muito, sem contar quando nem como esse perdão chegou.
Aquele a quem pouco foi perdoado
A última frase também é dita a Simão: “Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama”. A reação dele fica fora da cena. A história termina aberta, e a gente cabe dentro dela.
O raciocínio de quem acha que a vida sempre andou nos trilhos é conhecido, e logo vem uma objeção meio irônica: então é natural que eu ame pouco, eu não era tão ruim assim. A objeção tem lógica, e o próprio texto responde a ela.
A resposta está no versículo 42. O devedor dos cinquenta também não tinha com que pagar, e a dívida dele também foi perdoada. Quem se vê nesse devedor tem o mesmo motivo que ela para chegar perto de Jesus. O amor encolhe quando a gente esquece o que foi perdoado, ou nunca olhou para isso de perto. Aí o amor por Jesus vira costume, feito sem lágrima nenhuma.
Então Jesus disse a ela
Até ali, Jesus tinha falado dela a Simão. Agora fala com ela, pela primeira vez na cena, e diz em voz alta o que a parábola deixava entender: “Seus pecados estão perdoados”. Ela ouve isso aos pés dele.
O amor por Jesus cresce quando a gente olha para o que foi perdoado. João escreveu: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19). Quem já recebeu esse perdão pela fé, como ela, e olha de perto para ele acaba, cedo ou tarde, aos pés de Jesus, com as lágrimas e o perfume que tiver.
Para hoje
Se você já recebeu o perdão de Jesus, chame pelo nome, diante dele, um pecado seu que ele já perdoou e que você prefere não lembrar, e passe um tempo só agradecendo por esse perdão.
Oração
Jesus, eu conheço o amor pequeno de quem esquece o que foi perdoado. Obrigado por perdoar uma dívida que eu não tinha com que pagar. Que quem é conhecido na cidade pelo pior que fez ouça de ti o que ela ouviu, e que o meu amor cresça cada vez que eu me lembrar do que me perdoaste. Amém.
Para meditar ou conversar
Sozinho ou a dois- Jesus não dá uma tarefa à mulher nem manda Simão imitá-la: conta uma história, faz uma pergunta e põe lado a lado o que cada um dos dois fez (v. 40-46). O que a cena pede de você hoje, e o que ela não está mandando imitar?
- “Esta mulher, desde que entrei aqui, não parou de beijar os meus pés” (v. 45): Jesus a deixou ficar ali, a seus pés, e foi ele quem disse a Simão que ela amou muito. Pelo que você agradece a ele nisso hoje?
- “Aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama” (v. 47): que coisa você fez por Jesus nos últimos sete dias sem lembrar, em nenhum momento, do que ele perdoou a você? Diga a Deus o que foi e em que dia.
- “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19): que pedido você faz hoje a Jesus para amá-lo mais, sem oferecer nada em troca? Em uma frase.
Inspirado na pregação "Como medir o meu amor por Deus", da série Inversão de Valores, IBB Planalto.
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